O MUNDO DA LITERATURA INFANTIL DE LOBATO
Um projeto de incentivo à leitura
1 INTRODUÇÃO
O ato de ler é um processo abrangente e complexo de compreensão, de
entender o mundo a partir de uma característica particular ao homem:
sua capacidade de interação com o outro através das palavras, que,
por sua vez, estão sempre submetidas a um contexto.
Quando a criança ouve ou lê uma história e é capaz de comentar,
indagar, duvidar ou discutir sobre ela realiza uma interação verbal
que, neste caso, vem ao encontro das noções de linguagem de Bakthin
(2000). Para ele, o confrontamento de ideias, de pensamentos em
relação aos textos, tem sempre um caráter coletivo, social.
A esse respeito, Freire (1988) descreve que a “Leitura do mundo”
precede a leitura da palavra, ou seja, a compreensão do texto se dá
a partir de uma leitura crítica, percebendo a relação entre o
texto e o contexto.
Daí
a importância em se propiciar a leitura e a literatura de modo a
permitir ao aluno criar e recriar o universo de possibilidades que o
texto literário proporciona. Cabe a escola oferecer oportunidades de
acesso, incentivar o gosto pela leitura e promover de maneira lúdica
o encontro da criança com o mundo da fantasia e da imaginação.
Essa leitura é um fenômeno de criatividade, aprendizagem e prazer
que representa o mundo e a vida por meio das palavras. Dentro desse
contexto, escolheu-se a obra “O Minotauro”, de Monteiro Lobato,
porque segundo o autor, “A criança é um ser onde a imaginação
predomina em absoluto. O meio de interessá-la é falar-lhe à
imaginação”. A escolha dessa obra, então, relaciona-se ao fato
de que existem histórias que, além de tudo isso citado acima,
também nos levam a descobrir outros tempos, culturas, geografias,
políticas.
Nesse
sentido, acreditamos que o trabalho com projetos de aprendizagem
consiga integrar diversas mídias e tecnologias aos conteúdos
curriculares numa perspectiva de produção do saber e da
inter/transdisciplinaridade.
A
utilização de novas tecnologias em nossa prática docente pode ser
um caminho para superação da ideia de aquisição passiva de
informações e pode ser um instrumento para um ensino-aprendizagem
mais reflexivo, colaborativo, crítico e criativo. Entendemos que as
tecnologias estão presentes na vida e aprendizagem informal dos
nossos alunos e que as TICs, se bem aproveitadas, podem, de fato,
contribuir para a construção significativa do conhecimento.
Pretende-se com este projeto
despertar nos alunos, e neste caso, os de 6º ano, da EMEF XXXX, o interesse pela leitura e, naturalmente, a
prática da escrita/reescrita.
Sendo assim, o foco central deste estudo é responder ao
questionamento: Como desenvolver as habilidades de leitura,
escrita, interpretação e oralidade do aluno por meio da literatura
e dos recursos tecnológicos disponíveis?
A
partir deste questionamento, entendemos que toda e qualquer prática
criada para o desenvolvimento do trabalho com a literatura na escola,
deva se embasar na idéia de levar o leitor a ampliar seu diálogo
com a obra, descobrir novos sentidos, estabelecer relações com
outras leituras já feitas, assim como estimular o uso da literatura
infantil como elemento essencial na formação do ser pensante,
autônomo, sensível e crítico. Resgatar histórias infantis
relacionando-as com situações cotidianas inter/transdisciplinares,
disseminar e multiplicar as metodologias para a formação do aluno
leitor, bem como expandir as formas de interpretação de textos
escritos para diferentes campos da linguagem, proporcionar acesso dos
alunos às novas tecnologias viabilizando novas possibilidades de
linguagem.
Ressaltamos
que muitas propostas podem ser desenvolvidas na busca destes fins –
lúdicas, reflexivas, informativas, criadoras –, no entanto, é
importante deixar claro que este estudo é apenas uma parte do
caminho.
1.1 JUSTIFICATIVA
Tendo em vista as diversas dificuldades de acesso e a falta de hábito
de leitura dos alunos e das famílias na referida comunidade escolar,
bem como a importância da leitura no desenvolvimento dos aspectos
sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos e neurológicos
das crianças, fez-se necessário a implementação de um Projeto de
incentivo à leitura.
A maioria dos alunos tem o primeiro contato com a literatura quando
chega à escola, resultando na defasagem da assimilação,
interpretação e compreensão dos diversos textos. Tentando diminuir
essas dificuldades e buscando novos caminhos para o aprendizado amplo
e significativo, além de oportunizar aos alunos o contato com novas
tecnologias que pudessem auxiliar na formação de novos saberes,
optou-se por oferecer aos alunos atividades relacionadas à leitura
que trouxessem contribuição para o desenvolvimento social, afetivo
e cognitivo, além de prepará-los para melhor enfrentar os desafios
acadêmicos e da vida profissional futura.
Pensando
nesse futuro, é possível acreditar que ele resida, em grande parte,
nos livros. Daí a importância fundamental de uma formação que
ponha o aluno em contato com a “produção cultural da humanidade”,
o que inclui os mitos, a Literatura, a História, a Gramática, a
Geografia, o folclore, a própria natureza. Itens abordados
pertinentemente nas obras de Monteiro Lobato, entre elas, “O
Minotauro”.
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo Geral
- Estimular os alunos à prática da leitura através de textos literários, despertando a imaginação, a criatividade e a fantasia, por meio de atividades lúdicas;
1.2.2 Objetivos Específicos
- Desenvolver estratégias de leitura/ produção e reprodução de textos;
- Enriquecer os conteúdos inter/transdisciplinarmente, visando melhor aprendizado em todas as áreas do conhecimento;
- Desenvolver as habilidades linguísticas: falar, escutar, ler e escrever;
- Utilizar as ferramentas tecnológicas mais adequadas para realizar a apresentação das mesmas.
2 APRENDIZAGEM POR PROJETOS, TIC’s E A PRÁTICA PEDAGÓGICA
O presente estudo tem como aporte teórico a
abordagem sociocultural de Freire. O pensamento desse autor é
bastante oportuno, visto que defende uma educação humanista e
comprometida com a imersão do sujeito na construção do
conhecimento, uma educação que propicie aos homens e mulheres a
reflexão e criações de condições que lhes permitam sentirem-se
sujeitos dessa construção.
Reis (2011, p.77) parafraseando Freire diz
que
o homem é o sujeito da educação e apesar de uma
grande ênfase no sujeito, evidencia-se uma tendência
interacionista, já que a interação homem-mundo, sujeito-objeto é
imprescindível para que os ser humano se desenvolva e se torne
sujeito de sua práxis.
Portanto, entende-se que a educação deve
possibilitar o processo de interação do sujeito com o meio, visando
à produção do conhecimento. Sendo assim, Reis (2011, p.78) nos
coloca que
A relação professor-aluno é
horizontal e não imposta. Para que o processo educacional seja real
é necessário que o educador se torne educando e o educando,
educador. Quando essa relação não se efetiva, não há educação.
O homem assumirá a posição de sujeito de sua própria educação
e, para que isso ocorra, estará conscientizado do processo.
Neste sentido, ao propormos uma prática
pedagógica baseada no desenvolvimento de Projetos de Aprendizagem
estamos falando de em deixar de lado a rigidez dos conteúdos tidos
como universais e passarmos para uma prática onde se faz uso
das tecnologias, que a todo momento permeia o mundo no qual o sujeito
está inserido, oportuniza ao aluno a construção do conhecimento a
partir da reflexão, da curiosidade, da criticidade no processo de
edificação da autonomia.
Recriar as práticas pedagógicas, aproveitando os novos
recursos permite de forma rápida e precisa estocar de forma prática
as informações, trabalhar esta informação de forma inteligente,
transmitir a informação de forma muito flexível, integrar a imagem
fixa ou animada, o som e o texto de maneira muito simples,
ultrapassando a tradicional divisão entre a mensagem lida no livro,
ouvida no rádio ou vista numa tela (DOWBOR, 2001).
Articular as diversas áreas do conhecimento, temas transversais e o
uso das novas tecnologias da informação e comunicação, traduz na
prática, o compromisso coletivo e solidário de superar o conceito
de disciplina e consolida através do currículo vivido, relações
entre os diversos saberes. Vê-se assim, que
este tipo de prática requer uma dinâmica de trabalho diferenciada,
entende-se aqui como diferenciada as práticas inter e/ou
transdisciplinares.
No livro “Práticas Interdisciplinares na
Escola”, Ferreira citado por Fazenda (1993, p. 21-22) ressalta que
no idioma latino
O prefixo ‘inter’ dentre as
diversas conotações que podemos lhes atribuir, tem o significado de
‘troca’, ‘reciprocidade’, e ‘disciplina’, de ‘ensino’,
‘instrução’, ‘ciência’. Logo, a interdisciplinaridade pode
ser compreendida como sendo a troca, de reciprocidade entre as
disciplinas ou ciências, ou melhor, áreas do conhecimento.
Masetto e outros (2005), ainda enfatiza que a Interdisciplinaridade é
a produção de um novo conhecimento que acontece à luz de duas ou
mais áreas do saber no momento em que estas estabelecem um diálogo
entre si que permita uma nova visão da realidade.
Quanto à transdisciplinariedade, Gadotti citado por Menezes (2002)
diz que “a transdisciplinariedade na educação é entendida como a
coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema
de ensino inovado sobre a base de uma axiomática geral, ética,
política e antropológica”.
Fávero e Nunes (2011, p. 177) citando Hernandez (1998, p. 46)
ressaltam que a transdisciplinariedade
[...] representa uma concepção de pesquisa baseada num
marco de compreensão novo e compartilhado por várias disciplinas,
que vem acompanhado por uma interpretação recíproca das
epistemologias disciplinares. A cooperação, nesse caso, dirige-se
para a resolução de problemas e se cria a transdisciplinariedade
pela construção de um novo modelo de aproximação da realidade do
fenômeno que é objeto de estudo.
Sendo assim, entende-se que o aluno é livre
para formular suas próprias questões de investigação, trazendo
para a escola os seus reais interesses, disposto a fazer uso de todos
os mecanismos que tiver acesso para buscar soluções aos problemas
por ele elaborados.
Nesse contexto, não se pode negar que a
inserção das TIC’s no âmbito educacional vem acompanhada de
vários desafios. Isso porque não existe uma receita nem um modelo
de aplicabilidade das TIC’s, até porque estaria em desacordo com
uma proposta baseada em projetos de aprendizagem. Outro desafio
encontrado diz respeito ao educador, pois conforme Lévy (1998) as
novas tecnologias utilizadas como ferramentas pedagógicas na escola
redefinem a função docente e agregam às práticas de ensino e
aprendizagem novos modos de acesso aos conhecimentos. Antes mesmo de
influir sobre a aprendizagem do aluno, a utilização das novas
tecnologias implica num repensar do educador sobre sua prática
docente e às construções de seus alunos, pois novas aprendizagens
serão desenvolvidas.
É exatamente nesse sentido que ensinar não se esgota
no “tratamento” do objeto ou do conteúdo, superficialmente
feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender
criticamente é possível. E essas condições implicam ou exigem a
presença de educadores e de educandos criadores, instigadores,
inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes (FREIRE,
1996, p.28-29).
É deste modo que o desenvolvimento de
Projetos de Aprendizagem aliados ao uso das TIC’s constitui-se numa
aliança fundamental à democratização do processo
ensino-aprendizagem, haja vista que se fundamenta numa proposta de
educação emancipadora onde o aprendiz é concebido como
protagonista neste processo. Esta aliança também favorece as
interações, cooperações, trocas e comprometimento entre os
educadores e alunos envolvidos. A união entre a construção de
Projetos de Aprendizagem e as TIC’s não poderia ser mais rica,
pois, assim, facilita-se o desenvolvimento de ações interativas
através dos múltiplos caminhos oferecidos pelos recursos
disponíveis para construção de conhecimento, motivando o sujeito.a
aprender a aprender, característica essencial do sujeito histórico
e político de que trata Freire.
Como exemplo de um desses caminhos,
apresenta-se o projeto de aprendizagem no qual este estudo se
baseou que partindo da literatura de Monteiro Lobato, permitirá
desenvolver no aluno capacidades e habilidades para garantir a
consolidação de conhecimentos. O envolvimento de todos num processo
de cooperação, desafia os moldes de uma educação tradicionalista
e vai além dos limites da disciplinaridade, percorrendo novos
caminhos que levam a novas descobertas através da criatividade, da
fantasia e da imaginação.
2.1 LITERATURA E TECNOLOGIA
A aprendizagem, [...], não é meramente um processo
pelo qual o sujeito, pouco a pouco, repete, em seus pensamentos e
atos, a cultura em que nasceu, mas, sim, um processo de construção
que passa por várias etapas sucessivas e hierarquizadas (no sentido
que a última é superior à anterior) (PIAGET apud DE LA TAILLE,
1994, p.78).
Pensando a esse respeito, percebe-se que tanto a literatura quanto a
tecnologia propõem exatamente o caminho inverso da estagnação, tão
comum nos modelos tradicionais de aprendizagem. Na verdade, elas
promovem uma ruptura no “engessamento” do aprender, porque a
literatura, por meio da imaginação, e a tecnologia, pelos desafios
de descobrir novos caminhos de construção acabam por desafiar o
aprendiz a refletir e agir sobre sua própria atuação no processo
de ensino-aprendizagem.
Essa relação entre a literatura e a tecnologia pode ser ainda mais
fortalecida quando se lança um olhar ao que diz Coutinho (1978), a
respeito daquela:
A Literatura,
como toda arte,
é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do
espírito
do artista
e retransmitida através da língua
para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e
nova realidade.
Passa, então, a viver outra vida,
autônoma, independente do autor
e da experiência de realidade de onde proveio.
Se fosse preciso escolher uma palavra que
resumisse esse conceito apresentado por Coutinho, seria
‘transcendência’. Característica que também é inerente à
tecnologia, pois essa traz em seu bojo
sempre o surgimento de uma nova cultura que abarca a sociedade como
um todo. Isso porque, tanto a literatura quanto a tecnologia agem
independente de barreiras sociais ou históricas, em se tratando de
permanentemente questioná-las para transpô-las. A literatura
e a tecnologia, então, transformam-se, ininterruptamente, em
elemento de formação e desenvolvimento em todos os campos do saber:
intelectual, moral, ideológico e até estético.
Kawamura (1998) destaca que as
TICs estão indissoluvelmente ligadas às mudanças que ocorrem na
sociedade. “A sociedade atual é uma sociedade que vive imersa em
um mundo onde praticamente tudo o que nos rodeia é de alguma
maneira um produto da ciência e da tecnologia” (BAZZO et al.,
2003, p.116). As TIC’s têm contribuído para uma
desterritorialização, o que de alguma forma retoma a literatura
que, em sua essência, não tem dono nem nacionalidade.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DA METODOLOGIA
Segundo
Gil (1999 apud SILVA, 2005), método é um conjunto de procedimentos
intelectuais e técnicos necessários à investigação. Para o
presente estudo, foi escolhido o uso do método fenomenológico, pois
este
[...]
preocupa-se com a descrição direta da experiência tal como ela é.
A realidade é construída socialmente e entendida como o
compreendido, o interpretado, o comunicado. Então, a realidade não
é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e
comunicações. O sujeito/ator é reconhecidamente importante no
processo de construção do conhecimento (GIL, 1999; TRIVIÑOS, 1992
apud SILVA, 2005).
Como
caminho metodológico, as pesquisadoras, optaram pela pesquisa
qualitativa do tipo participante. Qualitativa, pois envolve a
obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos
interativos pelo contato direto com a situação estudada, procurando
compreender o fenômeno segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja,
dos participantes da situação em estudo (GODOY, 1995) e pesquisa
participante, porque é a pesquisa
[...]
que responde especialmente às necessidades de populações que
compreendem [...] – as classes mais carentes nas estruturas sociais
contemporâneas – levando em conta suas aspirações e
potencialidades de conhecer e agir. É a metodologia que procura
incentivar o desenvolvimento autônomo, autoconfiante a partir das
bases e uma relativa independência do exterior (BORDA,1988, p. 43).
A
pesquisa participante se caracteriza pelo envolvimento dos
pesquisadores e dos pesquisados no processo de pesquisa. Como
instrumento de coleta de dados optou-se pelo uso da observação
direta como recurso para obtenção das informações junto ao objeto
e contexto de estudo e o diário de campo para registro destas
observações.
3.2 CONTEXTO DA PESQUISA
Foi escolhida para o desenvolvimento do projeto a Escola Municipal de
Ensino Fundamental “XXXX”, localizada no
Município de Vitória. A escola conta com Laboratório de
Informática equipado para atendimento individualizado às diferentes
necessidades, com acesso à internet via Metrovix, mediado por um
professor especializado, com objetivo de desenvolver um trabalho de
integração entre os conteúdos escolares e as novas tendências
tecnológicas do mundo globalizado.
Considerando a importância do uso de recursos tecnológicos na
prática pedagógica da escola, é relevante implementar um projeto
que contribua para o crescimento intelectual, social e cultural dos
alunos na busca do conhecimento através da leitura, interpretação,
escrita e reescrita.
3.3 PARTICIPANTES
A turma escolhida para a aplicação do projeto foi a do 6º ano do
Ensino Fundamental, do turno matutino. Composta por
35 alunos, com faixa etária de
11 a 12 anos. O motivo para
escolha da referida turma foi o fato de uma das pesquisadoras ser
atualmente professora desta turma.
3.4 RECURSOS HUMANOS, MATERIAIS E TECNOLÓGICOS
Para
efeito de registro, os seguintes recursos poderão ser utilizados nas
diferentes fases do projeto:
Tabela 1 – Recursos necessários para execução do projeto
Humanos |
Professora
de Língua Portuguesa
|
Mediadora
do Laboratório de Informática Educativa
|
|
Materiais |
Livro
“O Minotauro”
|
Diário
de Bordo para transcrição das observações
|
|
Tecnológicos |
Computadores
ligados a Internet
|
Scratch
– para apresentação do projeto aos alunos e para os alunos
apresentarem os personagens
|
|
Excel
– para apresentar a listagem dos ingredientes
|
|
Writer
e Tux Paint – para produção e reprodução da História
|
|
Storyjumper
– para confecção do livro virtual/portifólio
|
|
Webquest
– para
repassar as orientações das atividades no transcorrer do projeto
|
3.5 DESCRIÇÃO DAS FASES DO PROJETO
Num primeiro momento, escolheu-se o autor e obra que melhor
responderia ao problema deste estudo, considerando também o caráter
inter/transdisciplinar do projeto. Definiu-se então a obra “O
Minotauro” de Monteiro Lobato.
Após a definição das áreas de conhecimento em que o projeto se
desenvolveria, passou-se a elaboração de algumas atividades que
poderiam nortear o projeto. Relacionam-se abaixo as áreas de
conhecimento com as respectivas atividades:
Tabela 2 – Descrição das atividades do projeto por área do conhecimento
Área do Conhecimento |
Atividade |
Recurso Tecnológico |
História
|
Os alunos pesquisarão sobre
mitologia, cultura grega e atualidades, e cultura brasileira (com
foco na “Cultura Local”);
|
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da
pesquisa
|
Geografia
|
Os alunos pesquisarão sobre
aspectos geográficos, políticos e econômicos;
|
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da
pesquisa
|
Ciências
|
Os alunos pesquisarão sobre os
recursos naturais e matérias-primas da Grécia e compararão com
os da sua localidade;
|
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da
pesquisa
|
Artes
|
Baseado na pesquisa relacionada a
ciências os alunos proporão a construção de um elemento da
arte grega com matérias-primas locais;
|
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da
pesquisa
|
Ed. Física
|
Por meio de pesquisas conhecerão
sobre os jogos olímpicos da antiga Grécia e compararão com os
jogos olímpicos atuais;
|
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da
pesquisa
|
Matemática
|
Será proposto para os alunos a
elaboração de bolinho de chuva para toda turma;
|
Internet – para pesquisar a
receita do bolinho
Excel – para relacionar os
ingredientes e as quantidades dos mesmos.
|
Língua Portuguesa
|
Dentro desta área do
conhecimento desenvolverão textos baseados nas pesquisas
realizadas que comporão um livro virtual.
|
Writer e Tux Paint – para
escrita e ilustração do texto do livro.
StoryJumper - para confecção do
livro virtual.
|
Informática
|
Utilizarão todos os recursos
selecionados para o desenvolvimento das atividades
|
Todos os recursos tecnológicos
descritos no item 3.4.
|
Definida as áreas do conhecimento, as atividades e os recursos
tecnológicos, optou-se pela ferramenta Webquest para repassar as
orientações das atividades no transcorrer do projeto. Também neste
ambiente estará disponibilizada uma breve apresentação do projeto
elaborado no Software de autoria e programação Scratch.
3.6 AVALIAÇÃO
Avaliar conforme Esteban (2006, p. 88-89 apud PRADO, 2011, p. 193) é,
[...] um processo compartilhado, que busca contribuir
para uma melhor compreensão de como o outro – parceiro no processo
pedagógico – compreende, como aprende, o que aprende, o que
ensina, como ensina, o que sabe e o que não sabe, não apenas ao
final do processo, mas enquanto o realiza. Aqui a avaliação
focaliza o desconhecido, porém não como registro da incapacidade,
mas como lócus potencial de ampliação, individual e coletiva, do
conhecimento. A avaliação como prática de investigação dá
visibilidade ao processo permanente de
construção/desconstrução/reconstrução dos conhecimentos de
todos os que participam da relação pedagógica.
Portanto,
a avaliação deverá acontecer durante todas as etapas do processo e
permitirá a análise de como o conhecimento foi sendo construído,
as estratégias usadas pelos alunos para aprender e continuar
aprendendo. Nesse sentido, todo material produzido pelos alunos será
organizado em portfólios, que permitem a avaliação,
auto-avaliação, registro das dificuldades, os ajustes necessários
entre o ensino e aprendizagem e a comparação dos resultados
alcançados com resultados esperados.
Os
dados para avaliação do projeto serão obtidos pela análise das
observações realizadas no diário de campo e apresentados por meio
de relatórios descritivos.
Os
relatórios descritivos levarão em conta os seguintes
questionamentos: a pesquisa qualitativa do tipo participante permitiu
a coleta de dados necessários e a compreensão da situação
estudada? A metodologia tornou possível a efetivação dos objetivos
propostos? Os recursos tecnológicos utilizados, de fato contribuíram
para o desenvolvimento do trabalho de integração entre os conteúdos
escolares e as novas tendências tecnológicas? O tema escolhido e o
questionamento “Como desenvolver as habilidades de leitura,
escrita, interpretação e oralidade do aluno por meio da literatura
e dos recursos tecnológicos disponíveis?” foram trabalhados e
respondidos? Quais foram as maiores dificuldades e quais foram os
ajustes feitos para superá-las? O que poderemos melhorar na
elaboração e desenvolvimento de novos projetos?
Enfim,
a etapa de avaliação não deve, portanto, se restringir a um único
momento. Entende-se que a avaliação não pode ter rumo fixado,
previsto, padronizado. Não pode haver um ponto final em um processo
em progresso (PRADO, 2011).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste estudo pode-se entender que o uso das tecnologias aliado a
práticas educacionais motivadoras, como os PA’s, oportunizam aos
alunos maior interação entre si e com as ferramentas,
incentiva-os a pesquisar, duvidar, construir, repensar e confrontar
ideias. Porém, evidencia-se que toda esta estratégia deve ser bem
planejada com o propósito de levar o aluno à autonomia e à
responsabilidade.
Diante desta perspectiva, o que se espera alcançar é que, ao final
do processo, o aluno se aproprie da literatura como um caminho para o
desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita, interpretação
e oralidade. Não se esquecendo que a literatura permite a apreensão
de elementos culturais diversos, viabilizando também diversos
conhecimentos inter/transdisciplinares.
Dentro desse contexto, vê-se que a realização de diversas
atividades envolvendo a participação dos alunos, dos docentes, e a
inserção do uso de tecnologias, tem como propósito inovar a
prática pedagógica e garantir uma melhor aprendizagem aos alunos.
Como aponta Freire e Shor (2003, p.31) “[...] a criatividade na
pedagogia está relacionada com a criatividade na política. Uma
pedagogia autoritária, ou um regime político autoritário, não
permite a liberdade necessária à criatividade, e é preciso
criatividade para se aprender”. Sendo assim, entende-se que a
inovação educativa tem relação direta com a mudança da prática
pedagógica. E o refletir sobre a ação desta mudança é que nos
leva a pensar no compromisso ético e político do educador assumindo
as práticas pedagógicas como uma intervenção nas dimensões
histórica, política e social. (FREIRE, 2001).
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