segunda-feira, 11 de junho de 2012

PROJETOS DE APRENDIZAGEM BASEADO NO USO DE NOVAS TECNOLOGIAS


O MUNDO DA LITERATURA INFANTIL DE LOBATO

Um projeto de incentivo à leitura


1 INTRODUÇÃO

O ato de ler é um processo abrangente e complexo de compreensão, de entender o mundo a partir de uma característica particular ao homem: sua capacidade de interação com o outro através das palavras, que, por sua vez, estão sempre submetidas a um contexto.
Quando a criança ouve ou lê uma história e é capaz de comentar, indagar, duvidar ou discutir sobre ela realiza uma interação verbal que, neste caso, vem ao encontro das noções de linguagem de Bakthin (2000). Para ele, o confrontamento de ideias, de pensamentos em relação aos textos, tem sempre um caráter coletivo, social.
A esse respeito, Freire (1988) descreve que a “Leitura do mundo” precede a leitura da palavra, ou seja, a compreensão do texto se dá a partir de uma leitura crítica, percebendo a relação entre o texto e o contexto.
Daí a importância em se propiciar a leitura e a literatura de modo a permitir ao aluno criar e recriar o universo de possibilidades que o texto literário proporciona. Cabe a escola oferecer oportunidades de acesso, incentivar o gosto pela leitura e promover de maneira lúdica o encontro da criança com o mundo da fantasia e da imaginação. Essa leitura é um fenômeno de criatividade, aprendizagem e prazer que representa o mundo e a vida por meio das palavras. Dentro desse contexto, escolheu-se a obra “O Minotauro”, de Monteiro Lobato, porque segundo o autor, “A criança é um ser onde a imaginação predomina em absoluto. O meio de interessá-la é falar-lhe à imaginação”. A escolha dessa obra, então, relaciona-se ao fato de que existem histórias que, além de tudo isso citado acima, também nos levam a descobrir outros tempos, culturas, geografias, políticas.
Nesse sentido, acreditamos que o trabalho com projetos de aprendizagem consiga integrar diversas mídias e tecnologias aos conteúdos curriculares numa perspectiva de produção do saber e da inter/transdisciplinaridade.
A utilização de novas tecnologias em nossa prática docente pode ser um caminho para superação da ideia de aquisição passiva de informações e pode ser um instrumento para um ensino-aprendizagem mais reflexivo, colaborativo, crítico e criativo. Entendemos que as tecnologias estão presentes na vida e aprendizagem informal dos nossos alunos e que as TICs, se bem aproveitadas, podem, de fato, contribuir para a construção significativa do conhecimento. Pretende-se com este projeto despertar nos alunos, e neste caso, os de 6º ano, da EMEF XXXX, o interesse pela leitura e, naturalmente, a prática da escrita/reescrita.
Sendo assim, o foco central deste estudo é responder ao questionamento: Como desenvolver as habilidades de leitura, escrita, interpretação e oralidade do aluno por meio da literatura e dos recursos tecnológicos disponíveis?
A partir deste questionamento, entendemos que toda e qualquer prática criada para o desenvolvimento do trabalho com a literatura na escola, deva se embasar na idéia de levar o leitor a ampliar seu diálogo com a obra, descobrir novos sentidos, estabelecer relações com outras leituras já feitas, assim como estimular o uso da literatura infantil como elemento essencial na formação do ser pensante, autônomo, sensível e crítico. Resgatar histórias infantis relacionando-as com situações cotidianas inter/transdisciplinares, disseminar e multiplicar as metodologias para a formação do aluno leitor, bem como expandir as formas de interpretação de textos escritos para diferentes campos da linguagem, proporcionar acesso dos alunos às novas tecnologias viabilizando novas possibilidades de linguagem.
Ressaltamos que muitas propostas podem ser desenvolvidas na busca destes fins – lúdicas, reflexivas, informativas, criadoras –, no entanto, é importante deixar claro que este estudo é apenas uma parte do caminho.

1.1 JUSTIFICATIVA

Tendo em vista as diversas dificuldades de acesso e a falta de hábito de leitura dos alunos e das famílias na referida comunidade escolar, bem como a importância da leitura no desenvolvimento dos aspectos sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos e neurológicos das crianças, fez-se necessário a implementação de um Projeto de incentivo à leitura.
A maioria dos alunos tem o primeiro contato com a literatura quando chega à escola, resultando na defasagem da assimilação, interpretação e compreensão dos diversos textos. Tentando diminuir essas dificuldades e buscando novos caminhos para o aprendizado amplo e significativo, além de oportunizar aos alunos o contato com novas tecnologias que pudessem auxiliar na formação de novos saberes, optou-se por oferecer aos alunos atividades relacionadas à leitura que trouxessem contribuição para o desenvolvimento social, afetivo e cognitivo, além de prepará-los para melhor enfrentar os desafios acadêmicos e da vida profissional futura.
Pensando nesse futuro, é possível acreditar que ele resida, em grande parte, nos livros. Daí a importância fundamental de uma formação que ponha o aluno em contato com a “produção cultural da humanidade”, o que inclui os mitos, a Literatura, a História, a Gramática, a Geografia, o folclore, a própria natureza. Itens abordados pertinentemente nas obras de Monteiro Lobato, entre elas, “O Minotauro”.



1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

  • Estimular os alunos à prática da leitura através de textos literários, despertando a imaginação, a criatividade e a fantasia, por meio de atividades lúdicas;

1.2.2 Objetivos Específicos

  • Desenvolver estratégias de leitura/ produção e reprodução de textos;
  • Enriquecer os conteúdos inter/transdisciplinarmente, visando melhor aprendizado em todas as áreas do conhecimento;
  • Desenvolver as habilidades linguísticas: falar, escutar, ler e escrever;
  • Utilizar as ferramentas tecnológicas mais adequadas para realizar a apresentação das mesmas.

2 APRENDIZAGEM POR PROJETOS, TIC’s E A PRÁTICA PEDAGÓGICA

O presente estudo tem como aporte teórico a abordagem sociocultural de Freire. O pensamento desse autor é bastante oportuno, visto que defende uma educação humanista e comprometida com a imersão do sujeito na construção do conhecimento, uma educação que propicie aos homens e mulheres a reflexão e criações de condições que lhes permitam sentirem-se sujeitos dessa construção.
Reis (2011, p.77) parafraseando Freire diz que
o homem é o sujeito da educação e apesar de uma grande ênfase no sujeito, evidencia-se uma tendência interacionista, já que a interação homem-mundo, sujeito-objeto é imprescindível para que os ser humano se desenvolva e se torne sujeito de sua práxis.
Portanto, entende-se que a educação deve possibilitar o processo de interação do sujeito com o meio, visando à produção do conhecimento. Sendo assim, Reis (2011, p.78) nos coloca que
A relação professor-aluno é horizontal e não imposta. Para que o processo educacional seja real é necessário que o educador se torne educando e o educando, educador. Quando essa relação não se efetiva, não há educação. O homem assumirá a posição de sujeito de sua própria educação e, para que isso ocorra, estará conscientizado do processo.
Neste sentido, ao propormos uma prática pedagógica baseada no desenvolvimento de Projetos de Aprendizagem estamos falando de em deixar de lado a rigidez dos conteúdos tidos como universais e passarmos para uma prática onde se faz uso das tecnologias, que a todo momento permeia o mundo no qual o sujeito está inserido, oportuniza ao aluno a construção do conhecimento a partir da reflexão, da curiosidade, da criticidade no processo de edificação da autonomia.
Recriar as práticas pedagógicas, aproveitando os novos recursos permite de forma rápida e precisa estocar de forma prática as informações, trabalhar esta informação de forma inteligente, transmitir a informação de forma muito flexível, integrar a imagem fixa ou animada, o som e o texto de maneira muito simples, ultrapassando a tradicional divisão entre a mensagem lida no livro, ouvida no rádio ou vista numa tela (DOWBOR, 2001).
Articular as diversas áreas do conhecimento, temas transversais e o uso das novas tecnologias da informação e comunicação, traduz na prática, o compromisso coletivo e solidário de superar o conceito de disciplina e consolida através do currículo vivido, relações entre os diversos saberes. Vê-se assim, que este tipo de prática requer uma dinâmica de trabalho diferenciada, entende-se aqui como diferenciada as práticas inter e/ou transdisciplinares.
No livro “Práticas Interdisciplinares na Escola”, Ferreira citado por Fazenda (1993, p. 21-22) ressalta que no idioma latino
O prefixo ‘inter’ dentre as diversas conotações que podemos lhes atribuir, tem o significado de ‘troca’, ‘reciprocidade’, e ‘disciplina’, de ‘ensino’, ‘instrução’, ‘ciência’. Logo, a interdisciplinaridade pode ser compreendida como sendo a troca, de reciprocidade entre as disciplinas ou ciências, ou melhor, áreas do conhecimento.
Masetto e outros (2005), ainda enfatiza que a Interdisciplinaridade é a produção de um novo conhecimento que acontece à luz de duas ou mais áreas do saber no momento em que estas estabelecem um diálogo entre si que permita uma nova visão da realidade.
Quanto à transdisciplinariedade, Gadotti citado por Menezes (2002) diz que “a transdisciplinariedade na educação é entendida como a coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado sobre a base de uma axiomática geral, ética, política e antropológica”.
Fávero e Nunes (2011, p. 177) citando Hernandez (1998, p. 46) ressaltam que a transdisciplinariedade
[...] representa uma concepção de pesquisa baseada num marco de compreensão novo e compartilhado por várias disciplinas, que vem acompanhado por uma interpretação recíproca das epistemologias disciplinares. A cooperação, nesse caso, dirige-se para a resolução de problemas e se cria a transdisciplinariedade pela construção de um novo modelo de aproximação da realidade do fenômeno que é objeto de estudo.
Sendo assim, entende-se que o aluno é livre para formular suas próprias questões de investigação, trazendo para a escola os seus reais interesses, disposto a fazer uso de todos os mecanismos que tiver acesso para buscar soluções aos problemas por ele elaborados.
Nesse contexto, não se pode negar que a inserção das TIC’s no âmbito educacional vem acompanhada de vários desafios. Isso porque não existe uma receita nem um modelo de aplicabilidade das TIC’s, até porque estaria em desacordo com uma proposta baseada em projetos de aprendizagem. Outro desafio encontrado diz respeito ao educador, pois conforme Lévy (1998) as novas tecnologias utilizadas como ferramentas pedagógicas na escola redefinem a função docente e agregam às práticas de ensino e aprendizagem novos modos de acesso aos conhecimentos. Antes mesmo de influir sobre a aprendizagem do aluno, a utilização das novas tecnologias implica num repensar do educador sobre sua prática docente e às construções de seus alunos, pois novas aprendizagens serão desenvolvidas.
É exatamente nesse sentido que ensinar não se esgota no “tratamento” do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível. E essas condições implicam ou exigem a presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes (FREIRE, 1996, p.28-29).
É deste modo que o desenvolvimento de Projetos de Aprendizagem aliados ao uso das TIC’s constitui-se numa aliança fundamental à democratização do processo ensino-aprendizagem, haja vista que se fundamenta numa proposta de educação emancipadora onde o aprendiz é concebido como protagonista neste processo. Esta aliança também favorece as interações, cooperações, trocas e comprometimento entre os educadores e alunos envolvidos. A união entre a construção de Projetos de Aprendizagem e as TIC’s não poderia ser mais rica, pois, assim, facilita-se o desenvolvimento de ações interativas através dos múltiplos caminhos oferecidos pelos recursos disponíveis para construção de conhecimento, motivando o sujeito.a aprender a aprender, característica essencial do sujeito histórico e político de que trata Freire.
Como exemplo de um desses caminhos, apresenta-se o projeto de aprendizagem no qual este estudo se baseou que partindo da literatura de Monteiro Lobato, permitirá desenvolver no aluno capacidades e habilidades para garantir a consolidação de conhecimentos. O envolvimento de todos num processo de cooperação, desafia os moldes de uma educação tradicionalista e vai além dos limites da disciplinaridade, percorrendo novos caminhos que levam a novas descobertas através da criatividade, da fantasia e da imaginação.

2.1 LITERATURA E TECNOLOGIA

A aprendizagem, [...], não é meramente um processo pelo qual o sujeito, pouco a pouco, repete, em seus pensamentos e atos, a cultura em que nasceu, mas, sim, um processo de construção que passa por várias etapas sucessivas e hierarquizadas (no sentido que a última é superior à anterior) (PIAGET apud DE LA TAILLE, 1994, p.78).
Pensando a esse respeito, percebe-se que tanto a literatura quanto a tecnologia propõem exatamente o caminho inverso da estagnação, tão comum nos modelos tradicionais de aprendizagem. Na verdade, elas promovem uma ruptura no “engessamento” do aprender, porque a literatura, por meio da imaginação, e a tecnologia, pelos desafios de descobrir novos caminhos de construção acabam por desafiar o aprendiz a refletir e agir sobre sua própria atuação no processo de ensino-aprendizagem.
Essa relação entre a literatura e a tecnologia pode ser ainda mais fortalecida quando se lança um olhar ao que diz Coutinho (1978), a respeito daquela:
A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio.
Se fosse preciso escolher uma palavra que resumisse esse conceito apresentado por Coutinho, seria ‘transcendência’. Característica que também é inerente à tecnologia, pois essa traz em seu bojo sempre o surgimento de uma nova cultura que abarca a sociedade como um todo. Isso porque, tanto a literatura quanto a tecnologia agem independente de barreiras sociais ou históricas, em se tratando de permanentemente questioná-las para transpô-las. A literatura e a tecnologia, então, transformam-se, ininterruptamente, em elemento de formação e desenvolvimento em todos os campos do saber: intelectual, moral, ideológico e até estético.
Kawamura (1998) destaca que as TICs estão indissoluvelmente ligadas às mudanças que ocorrem na sociedade. “A sociedade atual é uma sociedade que vive imersa em um mundo onde praticamente tudo o que nos rodeia é de alguma maneira um produto da ciência e da tecnologia” (BAZZO et al., 2003, p.116). As TIC’s têm contribuído para uma desterritorialização, o que de alguma forma retoma a literatura que, em sua essência, não tem dono nem nacionalidade.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DA METODOLOGIA

Segundo Gil (1999 apud SILVA, 2005), método é um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos necessários à investigação. Para o presente estudo, foi escolhido o uso do método fenomenológico, pois este
[...] preocupa-se com a descrição direta da experiência tal como ela é. A realidade é construída socialmente e entendida como o compreendido, o interpretado, o comunicado. Então, a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ator é reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL, 1999; TRIVIÑOS, 1992 apud SILVA, 2005).
Como caminho metodológico, as pesquisadoras, optaram pela pesquisa qualitativa do tipo participante. Qualitativa, pois envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto com a situação estudada, procurando compreender o fenômeno segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em estudo (GODOY, 1995) e pesquisa participante, porque é a pesquisa
[...] que responde especialmente às necessidades de populações que compreendem [...] – as classes mais carentes nas estruturas sociais contemporâneas – levando em conta suas aspirações e potencialidades de conhecer e agir. É a metodologia que procura incentivar o desenvolvimento autônomo, autoconfiante a partir das bases e uma relativa independência do exterior (BORDA,1988, p. 43).
A pesquisa participante se caracteriza pelo envolvimento dos pesquisadores e dos pesquisados no processo de pesquisa. Como instrumento de coleta de dados optou-se pelo uso da observação direta como recurso para obtenção das informações junto ao objeto e contexto de estudo e o diário de campo para registro destas observações.


3.2 CONTEXTO DA PESQUISA

Foi escolhida para o desenvolvimento do projeto a Escola Municipal de Ensino Fundamental XXXX, localizada no Município de Vitória. A escola conta com Laboratório de Informática equipado para atendimento individualizado às diferentes necessidades, com acesso à internet via Metrovix, mediado por um professor especializado, com objetivo de desenvolver um trabalho de integração entre os conteúdos escolares e as novas tendências tecnológicas do mundo globalizado.
Considerando a importância do uso de recursos tecnológicos na prática pedagógica da escola, é relevante implementar um projeto que contribua para o crescimento intelectual, social e cultural dos alunos na busca do conhecimento através da leitura, interpretação, escrita e reescrita.

3.3 PARTICIPANTES

A turma escolhida para a aplicação do projeto foi a do 6º ano do Ensino Fundamental, do turno matutino. Composta por 35 alunos, com faixa etária de 11 a 12 anos. O motivo para escolha da referida turma foi o fato de uma das pesquisadoras ser atualmente professora desta turma.

3.4 RECURSOS HUMANOS, MATERIAIS E TECNOLÓGICOS

Para efeito de registro, os seguintes recursos poderão ser utilizados nas diferentes fases do projeto:
 

Tabela 1 – Recursos necessários para execução do projeto

Humanos

Professora de Língua Portuguesa
Mediadora do Laboratório de Informática Educativa

Materiais


Livro “O Minotauro”
Diário de Bordo para transcrição das observações

Tecnológicos

Computadores ligados a Internet
Scratch – para apresentação do projeto aos alunos e para os alunos apresentarem os personagens
Excel – para apresentar a listagem dos ingredientes
Writer e Tux Paint – para produção e reprodução da História
Storyjumper – para confecção do livro virtual/portifólio
Webquest – para repassar as orientações das atividades no transcorrer do projeto


3.5 DESCRIÇÃO DAS FASES DO PROJETO

Num primeiro momento, escolheu-se o autor e obra que melhor responderia ao problema deste estudo, considerando também o caráter inter/transdisciplinar do projeto. Definiu-se então a obra “O Minotauro” de Monteiro Lobato.
Após a definição das áreas de conhecimento em que o projeto se desenvolveria, passou-se a elaboração de algumas atividades que poderiam nortear o projeto. Relacionam-se abaixo as áreas de conhecimento com as respectivas atividades:

Tabela 2 – Descrição das atividades do projeto por área do conhecimento









Área do Conhecimento

Atividade

Recurso Tecnológico

História
Os alunos pesquisarão sobre mitologia, cultura grega e atualidades, e cultura brasileira (com foco na “Cultura Local”);
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da pesquisa
Geografia
Os alunos pesquisarão sobre aspectos geográficos, políticos e econômicos;
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da pesquisa
Ciências
Os alunos pesquisarão sobre os recursos naturais e matérias-primas da Grécia e compararão com os da sua localidade;
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da pesquisa
Artes
Baseado na pesquisa relacionada a ciências os alunos proporão a construção de um elemento da arte grega com matérias-primas locais;
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da pesquisa
Ed. Física
Por meio de pesquisas conhecerão sobre os jogos olímpicos da antiga Grécia e compararão com os jogos olímpicos atuais;
Internet – para pesquisa
Writer – para registro da pesquisa
Matemática
Será proposto para os alunos a elaboração de bolinho de chuva para toda turma;
Internet – para pesquisar a receita do bolinho
Excel – para relacionar os ingredientes e as quantidades dos mesmos.
Língua Portuguesa
Dentro desta área do conhecimento desenvolverão textos baseados nas pesquisas realizadas que comporão um livro virtual.
Writer e Tux Paint – para escrita e ilustração do texto do livro.
StoryJumper - para confecção do livro virtual.
Informática
Utilizarão todos os recursos selecionados para o desenvolvimento das atividades
Todos os recursos tecnológicos descritos no item 3.4.


Definida as áreas do conhecimento, as atividades e os recursos tecnológicos, optou-se pela ferramenta Webquest para repassar as orientações das atividades no transcorrer do projeto. Também neste ambiente estará disponibilizada uma breve apresentação do projeto elaborado no Software de autoria e programação Scratch.



3.6 AVALIAÇÃO

Avaliar conforme Esteban (2006, p. 88-89 apud PRADO, 2011, p. 193) é,
[...] um processo compartilhado, que busca contribuir para uma melhor compreensão de como o outro – parceiro no processo pedagógico – compreende, como aprende, o que aprende, o que ensina, como ensina, o que sabe e o que não sabe, não apenas ao final do processo, mas enquanto o realiza. Aqui a avaliação focaliza o desconhecido, porém não como registro da incapacidade, mas como lócus potencial de ampliação, individual e coletiva, do conhecimento. A avaliação como prática de investigação dá visibilidade ao processo permanente de construção/desconstrução/reconstrução dos conhecimentos de todos os que participam da relação pedagógica.
Portanto, a avaliação deverá acontecer durante todas as etapas do processo e permitirá a análise de como o conhecimento foi sendo construído, as estratégias usadas pelos alunos para aprender e continuar aprendendo. Nesse sentido, todo material produzido pelos alunos será organizado em portfólios, que permitem a avaliação, auto-avaliação, registro das dificuldades, os ajustes necessários entre o ensino e aprendizagem e a comparação dos resultados alcançados com resultados esperados.
Os dados para avaliação do projeto serão obtidos pela análise das observações realizadas no diário de campo e apresentados por meio de relatórios descritivos.
Os relatórios descritivos levarão em conta os seguintes questionamentos: a pesquisa qualitativa do tipo participante permitiu a coleta de dados necessários e a compreensão da situação estudada? A metodologia tornou possível a efetivação dos objetivos propostos? Os recursos tecnológicos utilizados, de fato contribuíram para o desenvolvimento do trabalho de integração entre os conteúdos escolares e as novas tendências tecnológicas? O tema escolhido e o questionamento “Como desenvolver as habilidades de leitura, escrita, interpretação e oralidade do aluno por meio da literatura e dos recursos tecnológicos disponíveis?” foram trabalhados e respondidos? Quais foram as maiores dificuldades e quais foram os ajustes feitos para superá-las? O que poderemos melhorar na elaboração e desenvolvimento de novos projetos?
Enfim, a etapa de avaliação não deve, portanto, se restringir a um único momento. Entende-se que a avaliação não pode ter rumo fixado, previsto, padronizado. Não pode haver um ponto final em um processo em progresso (PRADO, 2011).



4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo pode-se entender que o uso das tecnologias aliado a práticas educacionais motivadoras, como os PA’s, oportunizam aos alunos maior interação entre si e com as ferramentas, incentiva-os a pesquisar, duvidar, construir, repensar e confrontar ideias. Porém, evidencia-se que toda esta estratégia deve ser bem planejada com o propósito de levar o aluno à autonomia e à responsabilidade.
Diante desta perspectiva, o que se espera alcançar é que, ao final do processo, o aluno se aproprie da literatura como um caminho para o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita, interpretação e oralidade. Não se esquecendo que a literatura permite a apreensão de elementos culturais diversos, viabilizando também diversos conhecimentos inter/transdisciplinares.
Dentro desse contexto, vê-se que a realização de diversas atividades envolvendo a participação dos alunos, dos docentes, e a inserção do uso de tecnologias, tem como propósito inovar a prática pedagógica e garantir uma melhor aprendizagem aos alunos. Como aponta Freire e Shor (2003, p.31) “[...] a criatividade na pedagogia está relacionada com a criatividade na política. Uma pedagogia autoritária, ou um regime político autoritário, não permite a liberdade necessária à criatividade, e é preciso criatividade para se aprender”. Sendo assim, entende-se que a inovação educativa tem relação direta com a mudança da prática pedagógica. E o refletir sobre a ação desta mudança é que nos leva a pensar no compromisso ético e político do educador assumindo as práticas pedagógicas como uma intervenção nas dimensões histórica, política e social. (FREIRE, 2001).

REFERÊNCIAS

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